Fuck You: A Magazine of the Arts II

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Fuck You (via File Magazine)

“E aqui estava ele sentado ao meu lado, pernas afastadas. Eu não conseguia aguentar mais. Toquei-lhe no interior da coxa. Ele aproximou-se. Eu tremi. O meu coração bateu e saltou e os meus dedos dirigiram-se à braguilha. Avaliei o tamanho e a força apertando a mão. Juntei os dedos e rodei-os na cabeça do pénis. Acariciei-a de cima a baixo. Pus-me de joelhos. Baixei a cabeça. Abri a boca. Alinhámos as nossas bocas. Entrelaçámo-nos. Todo o acto era aperto. Todo o facto contacto, o ataque e a ligação das línguas, dos encantos dos braços. Eu tremi com o toque da carne fresca. Estremeci com a investida do pénis dele. As suas sensações ansiavam pela consumação. Ele descontraiu as pernas e deitou-se ofegante, quente como um adolescente. Nu, dilatado, cheio, à espera de ser chupado, agarrando o lençol, todos os seus poros abertos à alegria. Fiz pressão no ponto em que a virilha se une ao pénis. Pus um dedo no ânus dele e massagei. Ondas de prazer imensuráveis subiram ao seu membro rapidamente. Espasmos. E eu continuava na dobra da virilha a inalar o seu suor.”

É um poema e não é meu. A versão original, com o título “The Platonic Blow, by Miss Oral”, ou “A Day for a Lay”, ou “The Gobble Poem”, ou “The Blowjob Poem”, tem mais versos e foi escrita por W. H. Auden, o poeta anglo-americano, pensa-se que em 1948. A tradução é minha. O autor não o quis publicar, mas também não o destruiu, e o resto da história, a do caro-editor-por-favor-destrua-todos-os-meus-manuscritos-quando-eu-morrer, e o editor do outro lado a esfregar as mãos como quem diz espera-lá-que-vais-ter-sorte, já se sabe: alguém o encontrou e decidiu publicar, neste caso Ed Sanders, poeta, editor e activista, na revista Fuck You: A Magazine of the Arts, no número de Fevereiro de 1965. Na folha de rosto, em subtítulo, lê-se “Mad Motherfucker Issue”.

A revista fazia três anos e, não tenhamos dúvidas – era verdadeiramente um mad motherfucker issue, dedicado aos “deprimidos e aos arruinados” e aos que foram apanhados pelos fascistas, freaks da guerra, draft boards (grupos de civis que escolhiam os homens para o serviço militar),“académicos idiotas” e pelos fanáticos do “Cancro Totalitário”. Senão vejamos: capa de Andy Warhol, com imagem de uma cena de sexo filmada na Factory e usada no seu filme Couch, um anúncio aos The Fugs, banda de Ed Sanders e Tuli Kupferberg, que também escrevia na revista, poemas de Lawrence Ferlinghetti, LeRoi Jones, Gerard Malanga, Ted Berrigan, Gregory Corso e Norman Mailer. Allen Ginsberg também contribuiu, com um poema sem título e data de 19 de Dezembro de 1962 publicado anteriormente nos seus Jornais,e um texto com o título “Dreams”, sobre um sonho que teve com Peter (provavelmente Peter Orlovsky, poeta e seu companheiro). É também Peter Orlovsky que assina uma série de desenhos publicados neste número; há um de Charles Chaplin num ecrã numa sala de cinema em Damasco (Síria).

“I’ll print anything”, escrevia Ed Sanders, que na altura era também proprietário de uma livraria em Nova Iorque, a lendária Peace Eye Bookstore. Enviem-me o que quiserem, poemas, manuscritos banidos, os vossos planos para o “holocausto pacifista”, que eu publico tudo. A ideia era mais ou menos esta. A Fuck You foi durante três anos (1962-1965) editada numa “localização secreta”, em Lower East Side (Nova Iorque). As cerca de 500 cópias eram imprimidas nos mimeógrafos da altura. É também por isso que a revista é considerada uma das mais importantes da chamada “mimeo revolution”, nos anos 60 e 70, em que se assistiu a uma espécie de boom de pequenas publicações independentes graças à utilização desta ferramenta, o mimeógrafo, que permitia imprimir a baixo custo. De repente, qualquer um podia publicar o que lhe desse na gana. A revista The Floating Bear, editada por LeRoi Jones e Diane Di Prima, figura central da geração Beat, é exemplo disso.

Outro mad motherfucker issue talvez tenha sido o n.º 5 de Setembro de 1964. A capa é de Robert LaVigne, que desenhou um bebé alienígena com pequenas roldanas nos olhos, letras no corpo e os órgãos à vista. Há poemas de Robert Creeley, o poeta americano normalmente associado ao Black Mountain College, “Two Times” e “Something” (“Eu aproximo-me com um tremor tão cauteloso / sinto sempre no fim a idiota / questão do que é / então, suposto ser sentido / e por quem”), Robert Duncan, William Burroughs, Norman Mailer, Gregory Corso e Gary Snyder – “Hymn to the Goddess San Francisco in Paradise”, do seu Mountains and Rivers Without End, poema épico dividido em quatro partes e publicado pela primeira vez em 1996 – Carl Solomon e uma tradução de um poema de Artaud, sem título e aparentemente inédito.

Fuck You começou mais ou menos assim: Ed Sanders estava num bar com alguns amigos do Catholic Worker. Tinham acabado de ver o Guns of the Treesde Jonas Mekas (1961), e Sanders anunciou que ia publicar uma revista chamada Fuck You: A Magazine of the Arts. Os amigos ficaram desconfiados mas no dia seguinte ele começou a fazer stencils e ao fim de uma semana estava o primeiro número aviado. Comprou um pequeno mimeógrafo e instalou-o no apartamento. Distribuía gratuitamente as cópias, mas chegou também a enviar algumas. A Allen Ginsberg (que estava na Índia), Nikita Khrushchev, Fidel Castro, Picasso e Beckett. O nome da revista era catchy, Sanders ganhou notoriedade e rapidamente começou a receber manuscritos dos seus heróis, como referiu numa entrevista publicada no site Literary Kicks.

Em A Secret Location on the Lower East Side, de Steven Clay e Rodney Philips (1998), Sanders explica que o objectivo dele, com a revista, era levar às “melhores mentes” da sua geração uma mensagem de pacifismo Gandiano, partilha, mudança social, liberdade individual e as ideias revolucionárias de libertação sexual. Diz-se por isso que a Fuck You permitiu a aproximação de duas gerações distintas, a dos Beats nos anos 50 e a da contracultura no final da década de 60.

Saíram treze números, grande parte deles com textos escritos por uma equipa mais ou menos fixa de colaboradores que incluía Nelson Barr, Al Fowler, Ed Sanders, Taylor Mead, John C. Harriman, C. V. J. Anderson (o editor da Crawdaddy!, considerada a primeira revista americana sobre música rock), Charles Olson e John Wieners. Menos assíduos, Harry Fainlight (cujas publicações na revista incluem um poema chamado “Mescaline Notes”, dividido em quatro partes, a fazer lembrar as experiências com mescalina de Henri Michaux), Diane di Prima, Frank O’Hara, Jean Morton, e outros. O último número foi publicado em 1965, sem que o seu fim tivesse sido anunciado. Da noite para o dia, por assim dizer, a Fuck You deixou de ser publicada.

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Fuck You: A Magazine of the Arts

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Fuck You (via File Magazine)

“Then I pressed on the spot where the groin is joined to the cock,
Slipped a finger into his arse and massaged him from inside.
The secret sluices of his juices began to unlock.
He melted into what he felt. “O Jesus!” he cried.”

It’s a poem, and it’s not mine. In the original version, “The Platonic Blow, by Miss Oral,” or “A Day for a Lay,” or “The Gobble Poem,” or “The blowjob poem,” there’s more verses written by W. H. Auden around 1948. The author didn’t want to publish it but didn’t want to destroy it either, and everybody knows how this sort of story usually ends: The writer asks for his editor to destroy all manuscripts, the editor says yes, of course, you have my word, but he doesn’t do it, and a few years later he or someone else finds one of the papers, a poem or a novel or a supermarket bill, and decides to publish it. So that’s what happened: Ed Sanders, the poet and activist, snatched that poem from W. H. Auden notebook and published it in the February 1965 issue of Fuck You: A Magazine of the Arts.

That was the “Mad Motherfucker Issue.” The magazine was celebrating its third anniversary, and the issue was dedicated to “all those who have been depressed, butchered or hung up by all these family unit nazis, fascists, war-freaks, department of License creeps, fuzz,” etc. It included a cover by Andy Warhol, with a sex scene from his Couch movie; an announcement on the formation of The Fugs, Sanders and Tuli Kupferberg’s band (Tuli also published in the magazine); poems by Lawrence Ferlinghetti, LeRoi Jones, Gerard Malanga, Ted Berrigan and Gregory Corso. Allen Ginsberg contributed an untitled poem dated from December 19, 1962 and an article about a dream he had with Peter (probably Peter Orlovsky, Ginsberg’s partner and fellow poet) and Norman Mailer. Orlovsky submitted three pages of drawings from his notebooks; there’s one of Charles Chaplin on a screen in a Damascus movie house.

“I’ll print anything”, wrote Fuck You founder Sanders, who was also then owner of the legendary Peace Eye Bookstore in New York. Send whatever you want, poems, “banned manuscripts,” “your plans for the pacifist holocaust,” and we will publish everything — that was pretty much the idea. From 1962 to 1965,Fuck You was edited, published and printed at a “secret location” on the Lower East Side of New York. All copies (roughly 500) were printed on a mimeograph machine, making the magazine one of the most important of the so-called “mimeo revolution” during the 1960s and ‘70s, when there was a proliferation of independent magazines thanks to the mimeograph, which allowed people to print quick and cheap. Suddenly, it was like everyone could be a publisher.

This is how Fuck You started: Sanders was sitting in a bar with some friends from Catholic Worker. They had just seen Jonas Mekas’s movie Guns of the Trees, and Sanders announced he was going to publish a poetry journal called Fuck You: A Magazine of the Arts. His friends showed some skepticism, but the next day he began typing stencils. The first issue was out in a week. He bought a small mimeograph machine and started printing copies, which he gave out for free. But he sent them away too, to Allen Ginsberg (who was in India) and Nikita Khrushchev and Fidel Castro and Picasso and Beckett. The name of the magazine was catchy, Sanders earned some respect as a publisher, and quickly he began receiving manuscripts from his heroes.

You could argue that Fuck You connected two different generations: the Beats of the ‘50s and the counterculture of the late ‘60s. In A Secret Location on the Lower East Side by Steven Clay and Rodney Phillips, Sanders says that he was trying to bring to the “Best Minds” of his generation a message of Gandhian pacifism, great sharing, social change, the expansion of personal freedom (including the legalization of marijuana) and the thrilling ideas of sexual liberation.

Thirteen issues of Fuck You were published, most of them by a fairly fixed staff, that included Sanders, Nelson Barr, Al Fowler, Taylor Mead, John C. Harriman, C.V.J Anderson (the editor of Crawdaddy!,  the first U.S. magazine of rock music criticism), Charles Olson and John Wieners. Not-so-regulars included Harry Fainlight, Diane di Prima, Frank O’Hara and Jean Morton, among others. The last issue was published in 1965. There’s no further information about the end, it just stopped suddenly.

The Airship, 25-08-2014