Os socorristas de crianças

São carpinteiros, padeiros, professores, engenheiros, farmacêuticos, estudantes, gente normal. O país deles está desfeito. Eles também. Síria e sírios são país e gente esquecida, o socorro é prestado pelas pessoas mais improváveis – que estão nomeadas para o Nobel da Paz, embora algumas já não estejam vivas.

Khaled Omar ouviu um choro vindo dos escombros, ouviu o que mais ninguém ouviu – ele que ouvia e sabia do que os outros – e escavou durante horas até encontrar o bebé. Socorrista dos White Helmets, distinguia-se dos demais colegas por ter resgatado mais bebés e crianças do que qualquer outro. Morreu este ano, em agosto, atingido por uma bomba. Khaled Katib, também socorrista do grupo, viu três colegas de trabalho morreram ao seu lado, atingidos também durante um bombardeamento, também levado a cabo pelo regime sírio, com o apoio da força aérea russa. Mahmoud Rislan, o fotógrafo que captou o vídeo de Omran Daqneesh, o menino de cinco anos filmado sentado numa ambulância que comoveu o mundo, chorou muito no momento e chorou muito naquela noite, naquela noite em que “toda a gente chorou”. Abo Alezz é dos poucos médicos que ainda não morreu ou fugiu de Alepo. Ele resiste. E vai continuar a resistir, a defender o seu povo, “nem que para isso tenha de pagar com o seu próprio corpo”. A Síria onde eles vivem está desfeita. Eles também…

Leia o artigo completo AQUI.

Publicado originalmente no Expresso Diário (29-09-2016).

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