Bolãno, Hans Keilson, Paris Review e Big, Bent Ears

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Roberto Bolaño
“Noturno Chileno”
Numa das entrevistas publicadas em Bolaño por sí mismo: entrevistas escogidas, antologia de entrevistas feitas a Roberto Bolaño entre 1998 e 2003, o escritor chileno fala sobre o seu sétimo livro: “Noturno Chileno é a metáfora de um país infernal, entre outras coisas. É também a metáfora de um país jovem, de um país que não sabe muito bem se é um país ou uma paisagem”. O livro esteve para se chamar Tormenta de Mierda, mas o editor, e também alguns amigos, convenceram Bolaño a mudar o título. Publicado originalmente em 2000, tem agora uma nova edição em português, dada à estampa pela Quetzal. Em Noturno Chileno, Sebastián Urrutia Lacroix, um padre e crítico literário chileno, que se encontra envelhecido e doente, convencido de que vai morrer em breve, decide rever a sua vida, relatando, num longo monólogo alucinado, alguns momentos do passado: a entrada no seminário, o primeiro encontro com Farewell, famoso crítico literário e a visita à sua propriedade, a viagem à Europa. Surgem, assim, personagens como Pablo Neruda, os senhores Oido e Odeim (anagramas de “ódio” e “medo”, respetivamente), que o recrutam para dar aulas de marxismo ao general Augusto Pinochet, Ernst Jünger e María Canales, mulher enigmática, proprietária de uma mansão onde se reúnem alguns dos mais conceituados intelectuais chilenos em serões artísticos, ao mesmo tempo que na cave se cometem os mais ignóbeis crimes contra comunistas e opositores do regime.

Paris Review
Edição #212
Numa das entrevistas publicadas nesta 212.ª edição da Paris Review, Elena Ferrante, a escritora italiana, autora de A Amiga Genial (Relógio d’Água), que tem mantido, para agonia de muitos, a sua identidade secreta, escrevendo sob pseudónimo, aponta as razões que a levaram a optar pelo anonimato e a evitar “os rituais de publicação”, dizendo que no início o fez por “timidez”, e depois por causa de uma certa “hostilidade” em relação aos media, “que valorizam os livros conforme a reputação do autor”. A entrevista publicada nesta edição foi a primeira a que Elena Ferrante respondeu presencialmente. Esta edição inclui, entre outros conteúdos, entrevistas a Hilary Mantel e Lydia Davis, e poemas de Major Jackson (poeta e professor americano), Charles Simic (poeta, tradutor e ensaísta servo-americano, vencedor do Prémio Pulitzer de Poesia em 1990) e Ben Lerner (poeta, ensaísta e crítico americano, finalista do National Book Award). Angela Flournoy, Ken Kalfus (escritor e jornalista americano), James Lasdun e Mark Leyney assinam a ficção, J. D. Daniels um ensaio, e Mel Bochner, autor da capa de um dos números da Paris Review, publicado em 1976, assina uma série de pinturas.

Hans Keilson
“Comédia em Modo Menor”
Em 1962, Hans Keilson publicou um livro, The Death of the Adversary, que se tornou um best-seller nos Estados Unidos da América. A revista Time considerou-o um dos dez melhores livros desse ano, ao lado de títulos de Jorge Luis Borges, William Faulkner, Vladimir Nabokov e Philip Roth. Mas o autor judeu, que tinha sido um membro ativo da resistência holandesa ao nazismo durante a Segunda Guerra Mundial, acabaria por cair no esquecimento. Voltaria a alvoroçar a cena literária anos depois, em 2007, quando o tradutor Damion Searls encontrou por acaso um exemplar do seu terceiro livro, Komödie in Moll (1947), tendo sido impressos novos exemplares. Em 2010, o mesmo livro foi traduzido para inglês pela primeira vez, um ano antes de o escritor morrer, e tem agora uma edição em português, Comédia em Modo Menor, publicada pela editora Sextante. O romance conta a história de um casal, Wim e Marie, que esconde em sua casa um judeu em fuga, Nico, e vai ter de livrar-se do seu corpo quando este morre de pneumonia. Francine Prose, num artigo publicado no New York Times, considerou o livro uma obra-prima, e o seu autor, um “génio”.

Sam Stephenson e Ivan Weiss
“Big, Bent Ears: A Serial in Documentary Uncertainty”
Sam Stephenson, escritor, especialista na obra de Eugene Smith, que tem vindo a estudar desde 1997, tendo publicado vários livros sobre o fotógrafo, tem um novo projeto, no qual está a trabalhar com Ivan Weiss. Trata-se de uma série de trabalhos multimédia, que assinam em colaboração com a revista Paris Review, intitulada “Big, Bent Ears: A Serial in Documentary Uncertainty”. No prólogo, publicado no site do projeto, Sam Stephenson explica a abordagem que será feita aos temas (“infantil, poderão alguns dizer”, mas tentando balançar os “impulsos com grande rigor”), pela combinação de vários formatos: vídeo, áudio, fotografia e escrita. O primeiro “capítulo” foi publicado no dia 11 de março. Tem como título There are no words, e é sobre Joseph Mitchell, escritor americano, conhecido sobretudo pelos seus artigos publicados na revista New Yorker, Johnny Greenwood, compositor e guitarrista dos Radiohead, e o festival de música Big Ears, que decorre anualmente em Knoxville, Tennessee (a última edição, com curadoria do compositor Steve Reich, trouxe ao festival os Television, John Cale, Julia Holter e Low, entre outras bandas). O segundo capítulo, garante Sam Stephenson também no prólogo, vai ser publicado em meados de junho.

Máquina de Escrever, 14-03-2015

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